12.11.09

Dêem palmadinhas onde guarda seu intelecto

Enquanto o país ainda enfrenta os problemas gerados com o apagão de terça-feira, onde falhas técnicas, humanas e a falta de manutenção preventiva estaria expondo o quão frágil é o sistema de energia brasileiro, tudo o que não falta são holofotes destinados à "estudante" Geisy Arruda. Isso mesmo, a "estudante" se chama Geisy.

Depois de sucessivos tropeços, pessoais, éticos e administrativos, onde a aluna teria ido com uma micro-saia (vestimenta totalmente inapropriada ao ambiente acadêmico, já que nas palavras da própria Geisy ela "só queria estudar"), alunos da UnB realizaram protestos, nus e semi-nus, para apoiar a aluna da Uniban, que depois de humilhada e expulsa da universidade, foi reintegrada.

Geisy voltará a estudar no local onde suas roupas de estudo são consideradas impróprias? Provavelmente sim. Quem usa aquele tipo de vestimenta para frequentar uma academia, onde a prioridade seria a aquisição de conhecimentos, não deve temer ser novamente o centro das atenções, mesmo sendo elas as piores possíveis.

A Uniban está certa ao expulsar a aluna? É claro que não. Expulsar um membro da universidade baseando-se apenas única e exclusivamente no seu modo de vestir mostra o quão bizarro é a qualidade ou a administração da faculdade. Isso é reforçado novamente nas atitudes dos outros estudantes, que ao verem uma mulher de mini-saia, preferem xingar, acusar, blasfemar e tentar agressões, em vez de apenas admirar ou fofocar. Sim, a estudante Geisy teve que sair escoltada pela polícia, pois diversos alunos queriam agredí-la em pleno ambiente acadêmico.

Geisy Arruda conseguiu o que queria: chamar a atenção da mídia nacional e internacional. Jamais será esquecida. Ou será esquecida já na próxima semana. Quem se importa com uma garota que se veste sensualmente apenas para estudar? A Uniban se importa. E esse foi seu maior erro: tentar demonstrar pulso firme em uma instituição gelatinosa. À Uniban, espero que reveja suas convicções na fabricação de profissionais para o mercado. À estudante Geisy, parafraseando Paulo Francis, espero que seus pais lhe dêem palmadinhas onde guarda seu intelecto. A mini-saia fala por si.

Charge do dia

Clipping desta quinta-feira

- Globo: Apagão revela as falhas do sistema elétrico brasileiro


- Folha: Temporal causou apagão, diz governo


- Estadão: Governo atribui apagão a raios; para especialistas, rede é frágil


- JB: 'Isso foi um microproblema', Tarso Genro, ministro da Justiça


- Correio: Energia é o nosso drama


- Valor: Blecaute expõe riscos do sistema


- Estado de Minas: A ameaça das trevas


- Jornal do Commercio: Governo culpa raio e chuva pelo apagão


Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

11.11.09

Imagens exclusivas do momento do apagão

Helicóptero da equipe de reportagem do SBT registrou o exato momento em que teve início o apagão na cidade de São Paulo.

Honaráveis bandidos... e bandidos!


Num ato contra a censura, admiradores/capangas de Sarney apareceram e agrediram os que se reuniram para lançar o livro "Honoráveis Bandidos- um retrato do Brasil na era Sarney", de Palmério Dória.


Alguém ainda duvida que vivemos todas as eras ao mesmo tempo? Nessas cenas acima, por exemplo, as trevas da Idade Média em pleno século XXI. Todo apoio à liberdade de imprensa em São Luis, capital que resiste ao império do bigodudo!

Clipping desta quarta-feira

- Globo: Pane em Itaipu causa apagão em 10 Estados e no Paraguai


- Folha: Apagão atinge nove Estados e DF


- Estadão: Senado paga bônus a servidor via ato secreto


- Correio: Vêm aí os supercargos da Esplanada


- Valor: Bancos cobiçam R$ 44 bi de novos fundos de pensão


- Estado de Minas: BHTrans é proibida de multar


- Jornal do Commercio: Apagão em nove Estados


Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.

Mais uma vez. Agora, 9 estados no escuro

Blog atualizado às 00:55 de 11/11

Um blecaute atingiu várias cidades das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil por volta das 22h desta terça-feira (10). O apagão que atingiu ao menos nove Estados foi causado por uma pane na usina hidrelétrica de Itaipu, segundo o Ministério de Minas e Energia.

O ministro Edison Lobão, que concedeu entrevista em Brasília, confirmou que foram afetadas cidades em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. Porém, moradores de Mato Grosso e Pernambuco também relataram falta de energia nos respectivos Estados. Também faltou energia no Paraguai.

Lobão disse que é possível que um temporal tenha provocado o desligamento da usina. "Questões atmosféricas, tempestades de grande intensidade, podem ter contribuído para desligar a linhas de Itaipu. Por consequência, pelo regime interligado, outras linhas saem de funcionamento", disse o ministro, ressaltando que o Estado do Rio de Janeiro é o mais prejudicado.

Lobão disse ainda que o abastecimento deve ser normalizado ainda nesta noite, mas que a causa real do problema só será conhecida na quarta-feira. "Nossa preocupação agora é reestabelecer a energia. Não é encontrar a razão do corte, que deve ter sido por fatores atmosféricos. Não tem nada a ver com o apagão de 2001", afirmou o ministro.

O presidente da hidrelétrica Itaipu Binacional, Jorge Samek, afirmou em entrevista coletiva em Brasília que houve avarias em uma ou duas linhas da usina. "Estamos trabalhando com todas as unidades geradoras trabalhando em vazio. Não tem nenhum problema na energia. No ponto de vista de geração não ocorreu problema. São cinco linhas que unem Itaipu ao grande centro, cujas linhas vão para São Paulo, neste processo deve ter ocorrido um grande vendaval, que fez com que uma ou duas linhas tivessem avarias", disse Samek.

"Há um sistema que faz com que as máquinas parem de transmitir energia. Neste momento (pouco antes da meia-noite), dois trechos já estão recuperados, e ainda falta recuperar um terceiro. Em 30 minutos devemos ter uma posição melhor para isolar a linha que teve avaria e assim voltar as outras linhas para a geração de energia", completou.

Samek mostrou que não havia precisão sobre o tamanho do problema. "Torço para que sejam no máximo duas linhas [com problema]. Quando uma delas tem avaria, desliga-se o sistema para que a gente possa recompor isso. Tivemos um temporal enorme aqui em Foz do Iguaçu, árvores foram arrancadas, mas ainda não tenho a exatidão de onde ocorreu o problema", afirmou.

Segundo a ONS (Operador Nacional do Sistema), foram perdidos 17 mil MW de potência, o que equivale à potência geral do Estado de São Paulo.

Confusão nas ruas
Na cidade de São Paulo, várias regiões registram falta de energia elétrica. Relatos de moradores apontam falta de luz na capital, no ABC paulista, no interior e no litoral do Estado. O UOL Notíciastentou contato diversas vezes com o serviço 24 horas da Eletropaulo, sem sucesso.

O metrô de São Paulo interrompeu o funcionamento e filas se formaram em algumas estações do metrô, como Tiradentes, Armênia e Luz. De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, só estão com energia na capital paulista os locais onde há geradores. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, não há registro de ocorrências na cidade, mas a corporação recomenda que os moradores evitem sair às ruas. O Corpo de Bombeiros registrou, apenas na capital, 27 casos de pessoas presas em elevadores.

"Estava um caos para pegar ônibus, pois está sem metrô. Estava parecendo seis horas da tarde. A cidade está totalmente escura, sem semáforos, na rua só vemos a luz das velas nas casas. Não tinha nem táxi na rua, está todo mundo preso em casa", conta o jornalista Rodrigo Araújo, que estava na av. Paulista no momento do apagão.

Houve interrupção parcial de telefones fixos e celulares em algumas regiões atingidas pelo apagão.

No Rio de Janeiro, o problema prejudica a circulação de veículos nas principais vias da cidade, como a Linha Amarela, avenida Brasil e a ponte Rio-Niterói, devido à falta de funcionamento da sinalização.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, que está em Brasília, disse que vai solicitar alerta máximo a Guarda Municipal na capital fluminense. Segundo Cabral, a medida é preventiva porque, apesar da falta de energia, a situação na cidade é tranquila.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a energia começou a ser restabelecida por volta das 23h. Na cidade, três pessas ficaram presas em elevadores e uma caiu em um córrego e machucou o braço. As universidade dispensarem os alunos e o trânsitio ficou complicado.

O diretor técnico das Centrais Elétricas de Santa Catarina, Eduardo Sitônio, informou que no Estado foi percebida apenas uma oscilação de cerca de 5 segundos na rede e que não há registros de ocorrência de falta de energia.

Segundo o jornal paraguaio "La Nación", o fornecimento de energia elétrica ficou interrompido no país por cerca de 30 minutos entre 21h13 e 21h43 (horário local), mas já está normalizado.

*Com informações da Folha Online, Agência Estado, UOL e Agência Brasil

10.11.09

Dois artigos publicados no OI de hoje

Dois artigos publicados de uma só vez no Observatório da Imprensa de hoje. Os dois se baseiam nas mídias sociais, mas um trata o vandalismo virtual, e o outro é acerca do isolamento que os usuários dessas novas mídias estão se submetendo. "Amigos, amigos, mídias sociais à parte" pode ser acessado aqui, e o artigo "Nem toda comunidade é comunitária" pode ser lido aqui. Para quem quiser procurar por outros textos de minha autoria publicados no OI, basta acessar aqui.

9.11.09

O muro, Berlim e o mundo, 20 anos depois

Há exatos 20 anos, era derrubado o Muro de Berlim, símbolo da divisão de dois mundos, entre o capitalismo e o comunismo, entre o progresso e o fracasso, respectivamente. Pontuais 20 anos depois, a Rússia não é mais uma super potência, o comunismo deixou de ser idealismo para significar pobreza, atraso e falta de direitos humanos. Cuba está flagelada. A Venezuela, que opta por conta própria seguir esse caminho de opressão e estagnação, já vê as entraves que o socialismo do século XXI está causando na população. A Colômbia já anuncia que denunciará o país de Chávez a OEA e ao Conselho de Segurança da ONU.

Exatos 20 anos de um dos mais mais importantes atos da história humana, segundo alguns especialistas, o marco do término do século XX ainda causa sensações e emoções diversas, complexas e polêmicas. O capitalismo molda uma Alemanha reforçada e desenvolvida, mas demonstra sinais de exaustão em âmbito mundial. Já o comunismo segue ideologias e fracassos ralo a baixo. Abaixo reportagem exibida hoje no JN sobre a queda do muro.

8.11.09

80% de aprovação. 80% de reprovação.

Somos pentacampeões mundiais, o Rio sediará os Jogos Olímpicos, o Brasil sediará a Copa do Mundo, o governo nacional possui invejosos 80% de aprovação popular, o maior índice da história deste país. Mas quer realmente debater o futuro do Brasil? Então analisemos os 8 tópicos listados abaixo.

1. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é uma nota de 0 a 10 que toda escola pública possui. A nota média das escolas brasileiras é 4,2 no ensino fundamental 1 (do 1º ao 5º ano) e 3,8 no ensino fundamental 2 (do 6º ao 9º ano). Lembre-se: a nota é de 0 a 10, e não atingimos nem a metade nas duas categorias.

2. Segundo o PISA 2006, que é o programa de avaliação de sistemas educativos mais difundido no planeta, o Brasil, em relação à disciplina de matemática, dentre 57 países, ocupada a incrível posição de número 54. Em leitura, dentre 56 nações, somos o 49º.

3. Menos de 10% dos alunos do 3º ano do ensino médio sabem o conteúdo mínimo esperado de matemática, e menos de 25% sabem o esperado sobre a própria língua nacional, o português (dados do Todos Pela Educação - Saeb 2007).

4. Quase de 40% dos jovens brasileiros com 16 anos não terminaram o ensino fundamental (dados do Pnad - IBGE 2007).

5. Quase 60% dos jovens brasileiros de 19 anos não conseguiram concluir o ensino médio (dados do Pnad - IBGE 2007).

6. Mais de 40% dos alunos da terceira série do ensino médio estão acima da idade adequada (dados do Saeb - Inep 2007).

7. Depois dos 80% de aprovação do governo Lula, quase 80% da população brasileira não consegue entender um texto simples (dados do Inaf).

8. Se você realmente quer comemorar algo, comece fazendo alguma coisa pelo seu próprio país.

5.11.09

Quando o eco-marketing é só etiqueta

Dizem que se o mundo tivesse sido criado por marketeiros, o nosso planeta seria um grande anúncio. Não é tão difícil imaginar, já que um dos focos principais desses profissionais é a venda. A mais extrema, ousada, ultrapassada, inovada e simples ação de vender. Fisicamente ou uma imagem, que seja.

O marketing verde, ou eco-marketing, é o queridinho das corporações nesse século XXI. É mais barato que o tradicional, pode ser propagado por meios digitais, o que facilita sua divulgação, agrega valor intangível à marca e, principalmente, diz o que todos os consumidores modernos gostariam de ouvir: "nós fazemos alguma coisa pelo planeta".

Então, você se perguntaria, com essa lista de posições positivas, como o marketing verde pode trazer à tona algo negativo, prejuízos ou escândalos empresariais? Simples. Quando ele, de fato, não existe.

O eco-marketing não se baseia no acolhimento de ONGs de prestígio internacional ou, muito menos, no plantio insignificante de mudas de árvores. Ele deve ter por prisma a sustentabilidade real, entre sociedade, meio ambiente e empresa. Gastar centenas de milhares de reais apenas na pregação publicitária de uma empresa verde, sócio-responsável, não tornará a corporação efetivamente "green". Pode, sim, em um primeiro passo trazer um valor momentâneo para com o nome da empresa, com ações em alta e vendas estratosféricas. Mas, mais intenso do que uma subida marketeira, é a pressão para manter a empresa no topo quando a poeira baixar e o consumidor final presenciar uma entidade falastrona, incapaz e mentirosa.

Há os gurus de plantão que afirmam que a empresas do século XXI pertencem aos consumidores. Há os que concordam e os que são ardilosamente contra. Nisso, a única coisa que podemos realmente afirmar é que sendo donos ou não, os consumidores modernos possuem nas mãos e nos cliques um poder fenomenal de decidirem o futuro de uma determinada empresa. Se as mesmas pisarem na bola, podem estar destinadas ao fracasso.

4.11.09

Dica: eBook Web 2.0 – Erros e Acertos

No eBook Web 2.0 – Erros e Acertos – Um Guia prático para o seu projeto, Paulo Siqueira explica, em linguagem clara e didática, como concebeu, desenvolveu e colocou em prática um projeto para a Web, passando pelo planejamento, programação, publicidade online e finalmente a execução.

É um relato prático e real, interessante para estudantes, professores, programadores, analistas, desenvolvedores, gerentes de projeto, executivos de Tecnologia da Informação, blogueiros, jornalistas de tecnologia, enfim, serve para qualquer pessoa que tenha curiosidade, interesse e quer saber mais sobre como fazer ou como funciona um projeto para a Web.

Paulo Siqueira, 53 anos, tem mestrado em Engenharia de Software pelo IPT. É professor universitário. Trabalha para a UNICEF, no Paquistão, como Gerente de TI. Trabalhou para Seven Networks International, UN-ICTY, Banco Mundial, IFES-USAID, UNDP-PAPP, UNV-PNUD e ICS-UNIDO, e Banespa-Santander, em diferentes lugares do mundo.

As ilustrações são de Orlando Pedroso, artista gráfico, colaborador da Folha de S. Paulo, revistas da imprensa e livros infanto-juvenis.

O prefácio é de Gilson Schwartz, economista, sociólogo e jornalista, professor de Iconomia no Curso Superior do Audiovisual e coordenador do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da USP.

Para fazer o download do livro, clique aqui.

2.11.09

A história da Internet no Brasil

Como o título já diz, é um relato sobre a história da internet no Brasil. É uma pena não estar legendado, pois, assim, o vídeo abrangeria um número maior de pessoas.

1.11.09

Uma dose de web 1, 2 e 3.0

Abaixo, alguns vídeos relacionados com web 1, 2 e 3.0. Respectivamente, trazem a web 1.0 x 2.0, o conceito de web 2.0 por Tim O'Reilly, a web 2.0 como nós sendo as máquinas e, por fim, a web 3.0 ou web semântica.




25.10.09

A falácia da segurança pública levada a sério II


O sujeito acorda às 4 horas da manhã porque depende dos precários, falidos, destruídos e escassos meios públicos de transporte para ir trabalhar. Soma-se a isso 3 horas de viagem só na ida para o trabalho, alternando-se entre ônibus, trens e metrôs, todos de péssima qualidade e lotados. Às vezes, apenas pelo fato de querer chegar logo no trabalho, é agredido brutalmente por homens fardados que deveriam realizar a segurança nessas áreas citadas.

Já no trabalho, o trabalhador comum tem a plena consciência de que só está lá para pagar impostos, pois o governo se tornou uma máquina de gastança “nunca antes vista nesse país”. A média de impostos no mundo gira em torno de 5,5%. No Brasil, estamos na casa dos 12.

Na saúde, se tem algum problema, é jogado no corredor da morte, mais conhecido como SUS (Sistema Único de Saúde). Sim, realmente único, pois em nenhum outro país do mundo a pessoa é tratada tão monstruosamente com descaso. Na saída do hospital, vai pegar o filho na escola, que segundo recente estudo da UNESCO, a educação em escolas públicas é a pior dos últimos 10 anos.

Seria, esse, um bom resumo do dia-a-dia do trabalhador brasileiro, não? Ainda não, pois agora temos a falácia da segurança pública levada a sério. São policiais corruptos, que matam, seqüestram e roubam. São bandidos que ao assaltarem o caixa automático de algumas agências bancárias, recebiam escolta armada de policiais militares fardados, em serviço e em viaturas da corporação. São jornalistas seqüestrados, torturados e ameaçados de morte e violência sexual por policiais de milícias. São soldados do exército que seqüestram e entregam jovens a facções rivais. São soldados que se declaram homossexuais e são presos 2 dias depois.

Temos a guerra declarada no Rio. Um helicóptero é abatido como nas cenas mais chocantes da guerra do Iraque. Só que não estamos no Iraque. Estamos na cidade-sede das Olimpíadas. Estamos em uma das cidades que irá receber a Copa do Mundo. Proporcionalmente, mata-se mais no Rio de Janeiro do que no Iraque. Bagdá é aqui.

Mas sabemos, no final das contas, 2 certezas, uma a curto prazo e a outra a médio. Em uma via, temos a mais absoluta convicção de que se o helicóptero não fosse abatido em pleno ar, essa guerra civil seria apenas mais uma nos noticiários nacionais, e não atingiria as proporções planetárias em matéria de publicidade negativa que tomou. Em outra via, sabemos em quem o cidadão votou, vota e votaria se tivesse uma terceira chance.

22.10.09

Amigos amigos, mídias sociais à parte

Mídias sociais ainda não são encaradas como mídias de massa, mas já caíram no gosto dos internautas, principalmente em relação aos brasileiros. Ter 500, 600 ou 700 "amigos" virtuais não significa, e nunca irá significar, que você realmente possui esse número de amizades ou, ainda, que ao menos as conhece.

O
Orkut, uma das principais páginas a serem visitadas no Brasil, baseia-se exatamente nesse conceito:o número de integrantes da sua rede informa o quão você querido ou popular é. Na prática, nada disso funciona.

O e-mail, ferramenta já considerada ultrapassada pela geração ponto com, já delimitava uma amostra das entraves que a "digitalização da humanidade" formaria. Sua lista de contatos era formada por membros da sua família, amigos, colegas de trabalho e, principalmente, aquelas dezenas de desconehcidos dos quais recebíamos e para os quais repassávamos mensagens. Não adianta afirmar que o e-mail só é repassado aos verdadeiramente conhecidos, pois é uma maneira prática, rápida e barata de manter relações, tanto no âmibito pessoal quanto no profissional. Você não pensa no quão confiável seja o contato.

Tal fenômeno ocorre também com o queridinho da bolha digital: o
Twitter. Todo twitteiro, ou quase todo, foca única e exclusivamente em apenas um objetivo: abocanhaer o máximo possível de seguidores, nem que para isso ele tenha que postar fotos de sua mulher nua ou expor intimidades além do limite.

Amigos são amigos. Conhecidos são conhecidos. Contatos virtuais são apenas contatos virtuais, onde você possui ferramentas práticas e instântaneas para a troca de conteúdos, e não para a substituição da realidade.

Tal ocasião é tão séria, que um estudo de um pesquisador americano constatou que as novas gerações estão passando por uma fase de "perda de sensibilidade", pois os usuários, principalmente os jovens, focam-se tanto no mundo virtual que começaram a não mais reconhecer uma feição de tristeza ou alegria, por exemplo. A solução? O coordenador do projeto retirou o filho da frente do pc e o colocou na TV. A justificativa? Pelo menos o jovem estaria vendo reações humanas semelhantes à realidade, como as de uma novela. Se a internet é a resposta, a TV tem se mostrado a solução.

20.10.09

"A ideia de se ter ideias" no OI de hoje

E o artigo "A ideia de se ter ideias" foi publicado hoje no Observatório da Imprensa. Como o texto foi postado aqui ontem, não há necessidade de reproduzi-lo na íntegra. Portanto, para quer quiser ler o artigo no OI, clique aqui. Para quem quiser ler outros artigos de minha autoria publicados no OI, acesse aqui.

19.10.09

A ideia de se ter ideias

Apenas uma edição, uma única edição de domingo do jornal norte-americano New York Times contém mais informações do que um homem que viveu no Iluminismo conquistou durante toda uma vida. O conhecimento, hoje, é um bem rentável e fundamental para que as estruturas da sociedade contemporânea se mantenham em pé. A um clique de distância o homem de hoje tem em mãos o maior acervo fotográfico da história, o Flickr, a maior enciclopédia aberta do mundo, a Wikipédia, ou o monstruoso conteúdo do YouTube, que recebe, a cada 60 segundos, mais de 8 horas de novos vídeos hospedados por internautas de todo o planeta.

Muitos afirmam que a internet é a resposta, mas se atrapalham ao tentarem afirmar qual era a pergunta anteriormente formulada. A internet não é e nunca foi a resposta, pois não é possível obter respostas concretas se não conseguimos formular ao menos perguntas pertinentes. Não se atente às respostas, mas às perguntas que o guiarão a encontrá-las.

Da Vinci e Michelangelo fizeram muito mais pela humanidade com recursos infinitamente menores. Seria praticamente impossível arriscar o que algumas das mentes mais brilhantes da história da humanidade poderiam ter feito se possuíssem em mãos todo o conhecimento que hoje é acessível a uma criança no início de seus 5 ou 6 anos. Para a internet ser a resposta, devemos, primeiramente, formular a pergunta: o que você faz com toda essa infinidade de informações?

Google, Yahoo, IBM, Microsoft ou Dell mudaram os rumos das comunicações. YouTube, Twitter, Flickr, o mp3 ou a blogosfera são as conseqüências dessas mudanças, e não as mudanças em si. Para a internet ser a resposta, a questão deve se voltar a cada usuário ativo, iniciante ou veterano, sobre qual é o uso que você faz dessas tecnologias. A aplicabilidade das mesmas não se deve restringir ao rotineiro caminhar humano, monótono e sem impactos à realidade que está inserido, mas sim em uma frenética construção de ideias, plausíveis ou não, onde mudanças, conseqüências e aplicações formulem algo realmente produtivo: a simples ideia de criar ideias.

Bill Gates certa vez mencionou que o usuário médio de um micro-computador possuía o cérebro não superior a de um macaco-aranha. Não mudar a realidade ao redor, utilizando-se dos meios tecnológicos, é confirmar a tese do criador do Windows. De nada adianta futurólogos e palpiteiros de plantão dizerem que a internet chegou para ficar, se os próprios usuários não sabem como impactarem de modo eficiente o meio no qual estão inseridos.

Qual a renda de sites como o YouTube ou Twitter? Cifras astronomicamente negativas. Mas qual o número em relação ao crescimento dos mesmos? Cifras astronomicamente positivas. A questão, hoje, se resume a jovens em tentativas múltiplas de criarem algo simples, de fácil manuseio, e que seja comprado por algum grupo de acionistas ou alguma mega-corporação.

A internet é a resposta quando você formular a pergunta correta. A internet veio para ficar se você souber, primeiramente, até onde quer chegar com ela. A internet será a pergunta mais eficiente quando os usuários procurarem uma resposta em comum: a ideia de ter ideias.

17.10.09

Cartão vermelho não substitui jogador

Translações futebolísticas acercam o presidente com a maior popularidade da história desse país. Nunca antes um homem foi capaz de falar tantas besteiras utilizando metáforas bizonhas e, na maioria das vezes, ligadas ao maior esporte nacional. Seria uma estratégia pura e simplesmente de marketing? Talvez, pois há lógica nesta sentença. Um semi-analfabeto fala para tantos outros milhões de semi-analfabetos um assunto, por vezes, chato, exaustivo, mas de uma maneira simplória que qualquer um poderia entender: utilizando-se o futebol.

Lula já palpitou sobre quase todos os assuntos existentes e conhecidos pelo homem. Alguma crítica concreta? Claro que não. Mas o fato de sua popularidade bater índices estratosféricos o transforma em uma espécie de super-herói dos fanfarrões, pois há um escudo quase indestrutível entre ele, o super-lula, e a realidade das suas palavras. Uma blindagem formada basicamente por uma substância, ou uma matéria, que todos políticos passam a vida para ter: o apoio de quase 80% da população.

Isso o torna imbatível, visível e invisível, pois nunca sabendo onde o super-molusco pode estar e nem o que poderá dizer em seguida. Assim como palitar sobre a administração da Embraer, atacar ardilosamente a oposição com um olhar de "ataquem-me se puderem", entrar em conflito com o presidente da Vale, Roger Agnelli, ou ainda usar dinheiro público para fazer campanhas eleitorais camufladas. Nada impede o super-herói Lula.

A oposição ao governo promete entrar na justiça com uma ação popular para investigar a viagem de Lula pelo nordeste, classificada por muitos especialistas como uma explícita malversação da máquina pública, já que o presidente estaria fazendo campanha política.

Sobre a oposição, Lula disse que são "como jogadores no banco de reservas. Se dizem amigo do que está jogando, mas não vêem a hora do mesmo se machucar ou levar um cartão vermelho para entrarem em seu lugar". Cartão vermelho não substitui jogador, apenas exclui um membro da equipe. Talvez Lula tenha confundido com a política, que não importa quantas faltas você cometa ou quantos cartões vermelhos você tome, os políticos sempre continuam na jogada.

16.10.09

Palestra de Fábio Corniani

Áudio da palestra do professor Fábio Rodrigues Corniani, realizada na última semana de setembro na Fatea sobre Folkcomunicação. Abaixo, uma breve descrição do palestrante.

Fábio Corniani é Doutor em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (2009). Possui mestrado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (2003) e graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo (2000). Pesquisador na área de Comunicação e membro da Rede Folkcom desde sua fundação. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Folkcomunicação, atuando principalmente nas seguintes áreas de conhecimento: folk-mídia, cultura brasileira, teoria da comunicação, comunicação comparada, produção gráfica, criação publicitária, pesquisa mercadológica, marketing e metodologia científica.


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